Turma 2002

 

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Ana Lucia Milano

Título: Jeanne D'Arc, de Mary Gordon: textos e intertextos da história à ficção.

Resumo : Manhã de quarta-feira, 30 de maio de 1431. Um ritual é preparado na praça do Velho Mercado de Rouen. Todos aguardavam ansiosos para assistirem à queima de Joana Darc, jovem obstinada e insolente que, com sua fé inabalável, reergueu a nação francesa, entrando para a história, a cujo discurso não ficou atrelada. Personagem migrante por excelência, transpõe fronteiras, tanto genéricas quanto espaciais e temporais, ressurgindo na ficção contemporânea das Américas em Jeanne Darc (2000), de Mary Gordon, corpus eleito para esta pesquisa. Em um primeiro momento, os fatos que envolveram a trajetória de Joana Darc são recuperados por meio de uma breve historiografia, imprescindível para a compreensão de sua ressurgência na narrativa ficcional. A re/leitura da vida da heroína feita por Gordon remete a uma prática desconstrutora de modelos eurocêntricos e é analisada nesta dissertação a partir das teorias da metaficção historiográfica (Linda Hutcheon) e das reflexões críticas sobre o hibridismo (Zilá Bernd).

Data da defesa: 03/set/2004


Ana Maria Martins Roeber

Título: Para uma análise do künstlerroman de autoria feminina: o dilema procriação/criação em As doze cores do vermelho, de Helena Parente Cunha.

Resumo : O presente trabalho consiste na análise do Künstlerroman (romance de artista) de autoria feminina As doze cores do vermelho (1988), da escritora baiana Helena Parente Cunha. Considerando que esse gênero literário adquire novas configurações ao enfocar uma mulher na posição de heroína-artista e gênio criador, busco examinar de que forma se dá a trajetória da protagonista-artista no romance, tomando como ponto de partida o dilema procriação/criação, e considerando a categoria de gênero (gender). As pesquisas realizadas acerca do Künstlerroman de autoria feminina pela Crítica Literária Feminista, no Brasil e no exterior, revelam a inadequação das categorias tradicionalmente relacionadas ao gênero, quando aplicadas às obras de autoria feminina, consideradas as suas especificidades. A protagonista tem que resolver o dilema arte/vida, ao mesmo tempo em que se depara com os obstáculos a ela impostos pela sociedade patriarcal, por meio dos papéis predeterminados como, por exemplo, o de mãe e de esposa. No romance As doze cores do vermelho, o dilema procriação/criação emerge como o conflilto central, uma vez que a protagonista-artista, impossibilitada pelo sistema familiar de conciliar arte e maternidade, precisa optar entre a expressão pela arte e a sua realização no âmbito público - criação - , e a maternidade - procriação -, restringindo-se ao âmbito privado da família. Ao retratar uma protagonista que refuta os papéis impostos pelo sistema vigente, e se recusa a abrir mão da realização por meio da arte, Cunha expõe para análise o modelo rígido de estrutura familiar vigente ainda na atualidade. Tal modelo perpetua noções essencialistas as quais relacionam a mulher à passividade, e a relegam à posição de outro do homem. A família, nos moldes em que se estrutura, circunscreve a mulher no âmbito privado do lar, e impossibilita a sua transcendência pessoal. Ao ficar restrita ao espaço familiar, a mulher é impossilitada de se realizar publicamente por meio da arte. Os questionamentos levantados por meio de Cunha na obra formadora do corpus podem suscitar a reflexão acerca da situação da mulher na sociedade e, dessa forma, motivar transformações nas estruturas vigentes, reafirmando o papel transformador do Künstlerroman de autoria feminina.

Data da defesa: 24/jan/2005


Cátia Rosana Dias Goulart

Título: Uma leitura de A cidade dos Padres no contexto do novo discurso ficcional-histórico na América Latina           .

Resumo : Esta dissertação focaliza as mudanças que ocorrem na visão de mundo e na poética do romance histórico em textos significativos do sistema da literatura latino-americana. Com esse propósito, particularizando em alguns romances históricos contemporâneos Concierto barrocoEl arpa y la sombra, ambos de Alejo Carpentier, Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro e Los perros del paraíso, de Abel Posse, é integrada uma visão de conjunto do processo de transformação que vem acontecendo na poética do gênero na América Latina. Nesse contexto, posteriormente é realizada uma leitura crítica do romance A cidade dos padres (1986), de Deonísio da Silva, privilegiando a análise de seu universo cosmovisivo e compositivo, bem como os significados que a obra alcança no sistema da cultura literária latino-americana. 

Data da defesa: 29/mar/2004

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Daniela Pinto Barros

Título: Na tradição do künstlerroman de autoria feminina: Lésbia em diálogo com Corina e para além do intertexto.

Resumo :künstlerroman (romance de artista) é um genero literário consagrado na literatura ocidental. Por meio do processo de revisão e recuperação efetuado pela Crítica Literária Feminista, apartir dos anos sesenta do século XX, torna-se possível falar em uma tradição deste genero (genre) no feminino. A adição da categoria gênero (gender) na análise de romances de artista revela-se essencial para a problematização e ampliação do seu conflito central: vida versus arte. No Brasil, apesar de a crítica do künstlerroman de autoria feminina ser ainda muito incipiente, o romance de artista surge em 1890, ano em que Délia - psedonimo de Maria Benedita Bormann (1853-1895) - publica Lésbia, obra que constitui o corpus desta dissertação. A análise de Lésbia abrange duas dimensões: a primeira diz respeito ao seu diálogo com o romance Corina (1807), de Madame de Staël (1776-1817), uma das mais relevantes percursoras do genero; a outra, ilumina o uso de estratégias narrativas e aspectos temáticos que demonstram a transcendência das relações intertextuais entre os dois romances. Esta leitura, acerca do künstlerroman de autoria feminina, está embasada em categorias analíticas, articuladas entre si e vinculadas a diferentes áreas do conhecimento, como a da Teoria da Literatura e a da Crítica Literária Feminista. Nesse contexto, além da perspectiva do genero, são fundamentais os conceitos de dialogismo, de Bakhtin, de intertextualidade, de Julia Kristeva, e de palipsesto, de Susan Gubar e Sandra Gilbert. Neste romance, Délia enfoca a trajetória de uma artista, fato que traz como conseqüencia tanto a rejeição a conceitos essencialistas e universais como a proposta de desconstrução de papéis naturalmente impostos a homens e mulheres. A autora constrói uma imagem gendrada da protagonista-artista, situando-a no locus de um sujeito ativo, isso é, como produtora de cultura. Lésbia é um romance que estabelece os paradigmas de um gênero literário na série brasileira.

Data da defesa: 16/dez/2004


Eloá Ribeiro Galante

Título: O percurso do Barba-Azul: do conto popular a Angela Carter.

Resumo : Os contos de fadas literários surgiram no século XVII com Charles Perrault, mas a sua origem como tradição oral se confunde com a própria história da civilização. A mulher curiosa , incapaz de aceitar a proibição, faz parte da cultura de diversos povos. Perrault retoma esta personagem e adiciona à trama um marido assassino, que usa a proibição como uma tentação à qual a curiosa não pode resistir. O marido sanguinário, Barba-Azul, antecede e prenuncia uma personagem comum no mundo real e na ficção do século XX, o serial killer. O tema do marido-ogro recebe várias interpretações nos três séculos seguintes. A versão de Angela Carter, chamada The bloody chamber, é especialmente interessante por se claramente um intertexto da obra do autor francês. Através da análise semiótica dos níveis fundamental, narrativo e discursivo, o percurso do marido-ogro é estudado no texto da tradição Le gros cheval blanc e nos contos literários La Barbe-Bleue e The bloody chamber. Nossa intenção, no presente trabalho, é, portanto, descrever e examinar as semelhanças e diferenças entre as narrativas, considerados os níveis referidos.

Data da defesa: 15/out/2004


Fabiane  de Oliveira Resende

Título: Aldyr Schlee e a linha de fronteira: homem, terra e literatura.

Resumo : O tema da fronteira constitui uma preocupação muito atual, tanto para a teoria como para a crítica literária. Nele está inserida a contística de Aldyr Garcia Schlee, um escritor de fronteira, cujas três primeiras obras ambientam-se, invariavelmente, na zona de limite entre Brasil e Uruguai. Além de explorar geograficamente a fronteira e suas demarcações naturais, é prática do autor jaguarense lidar com as variadas acepções de fronteira, como por exemplo, as que definem a voz das instâncias autoral e narrativa, ou as que delineiam a memória e a imaginação. Situada num espaço intervalar, a obra de Aldyr Schlee constitui o corpus da presente pesquisa, que não se ocupou dela na íntegra, mas apenas com os três primeiros volumes, todos dedicados ao conto, respectivamente intitulados Contos de sempreUma terra só e Linha divisória. Na perspectiva da referida condição, a contística de Schlee é analisada em seus contrapontos e aproximações com o regionalismo sul-rio-grandense, no tocante à instância do narrador, à relação com o tema da fronteira, bem como à representação do tipo humano e do espaço sul-rio-grandense. No elenco de pontos dissidentes e convergentes entre a contística de Schlee e a regionalista, a possibilidade de inserir a obra analisada numa série literária que, ainda bastante apegada ao elemento regional, transcende ao Regionalismo em seu sentido mais estrito.

Data da defesa: 15/abr/2004

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Jaqueline Rosa da Cunha

Título: Arauto das Letras (1882-1883): uma amostra da expressão literária da região sul-rio-grandense.

Resumo : A dissertação "Arauto das Letras (1882-1883): uma amostra da expressão literária da região sul-rio-grandense" utiliza o material do CD-Rom do projeto de pesquisa 'Literatura, Jornal e Cultura: autores pelotenses (1850-1889)' que, desde 2001, vem desenvolvendo um trabalho de recuperação das produções literárias e de nomes de colaboradores que auxiliaram, por meio da imprensa literária da região, no desenvolvimento sócio-cultural de Pelotas e localidades vizinhas. O presente trabalho é o resultado do resgate dos textos literários veiculados pelo jornal Arauto das Letras, que circulou entre as cidades de Rio Grande e Pelotas nos anos de 1882 e 1883. Elaborado a partir da organização de listas referentes às matérias publicadas, colaboradores, temas, gêneros literários e anúncios, este trabalho atinge o objetivo de apresentar um material inédito sobre a literatura da região sul-rio-grandense, ao mesmo tempo que ajuda a preservar a memória cultural da sociedade gaúcha.

Data da defesa: 03/mar/2004
 


Leila Cruz de Ávila

Título: Imprensa e Literatura no Rio Grande: o periódico Inúbia (1868).

Resumo : A dissertação "Imprensa e literatura no Rio Grande: o periódico Inubia (1868)" está inserida na linha de pesquisa 'Literatura Sul-Rio-Grandense' e está vinculada ao projeto 'Literatura e imprensa no Rio Grande do Sul do século XIX'. Nessa perspectiva, o trabalho contempla a catalogação do periódico, através da organização de dois índices: um organizado por assunto; outro, por colaboradores. Além disso, a dissertação contém uma antologia com a matéria literária publicada no jornal, que foi integralmente transcrita e atualizada lingüisticamente. Afora isso, a dissertação realiza, observando a perspectiva oferecida pela História da Literatura, o estudo de todo o material literário veiculado no periódico: a poesia e a narrativa. Assim concebido, o trabalho, ao focalizar material inédito, objetiva contribuir para a reescrita de capítulo importante da história literária regional.

Data da defesa: 25/mar/2004
 


Luís Fernando da Rosa Marozo

Título: A água na poesia bandeiriana: a concretude do líquido.

Resumo : Esta Dissertação de Mestrado em História da Literatura, intitulada "A água na poesia bandeiriana: a concretude do líquido" versa sobre a importância da água e suas formas de aparição dentro da poesia de Manuel Bandeira. O trabalho tenta analisar como o poeta utilizando-se de um elemento material e concreto, torna-o abstrato para concretizá-lo como experiência de vida. A ênfase dar-se-á em um conjunto de poemas retirados de Estrela da Vida Inteira nos quais a água apresenta-se como elemento de encontro e desdobramento do sujeito autobiográfico.

Data da defesa: 18/maio/2004

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Maria Helena Rodrigues Fuão

Título: Uma leitura da ficção e da história na escrita de Setiembre, de Carmen da Silva.

Resumo :A escritora rio-grandina Carmen da Silva (1919-1985), embora sendo um nome relevante das letras brasileiras, pois, além de precursora do feminismo, é autora de importante produção romanesca, ainda é desconhecida na Academia. Para resgatar e ampliar a visibilidade de sua obra, esta dissertação estuda sua primeira narrativa ficcional, Setiembre (1957), traduzida para o português com o título de Fuga em Setembro (1973), que retrata a decadência do governo de Juan Domingo Perón, um dos mais longos e marcantes da América Latina. O conflito que eclode no dia dezesseis de setembro de 1955, e que culmina com a deposição do líder, e as repercussões sociopolíticas desse fato, são retratados nessa obra e serão estudados nesta dissertação, levando em conta o entrecruzamento da história com a literatura.

Data da defesa: 09/jul/2004


Paula Pich Garcia

Título: Uma leitura de Isobel Gunn, de Audrey Thomas, no contexto do travestismo no discurso feminino.

Resumo :O travestismo feminino é um tema recorrente na história da literatura. Contudo, na encontramos tantos estudos quanto a relevância da temática sugere, e a maioria daqueles realizados não leva em consideração o histórico do motivo. Nesse trabalho, percorremos práticas representativas do travestismo feminino na literatura, num estudo diacrônico da figura, delineando um caminho para a investigação da problemática do discurso feminino. O travestismo, no contexto discursivo feminino, significa uma importante estratégia de (des)construção de possibilidades identitárias para o ser mulher. A obra escolhida par análise é o romance Isobel Gunn (1999), da escritora canadense Audrey Thomas. Na proposta artística da narrativa, Thomas apresenta técnicas de travestismo que desestabilizam a noção cultural de gênero e agenciam a autonomia identitária do sujeito feminino. Verificamos nesse estudo como o signo do travestismo, inserido em ambiente literário de inter/invenção feminina, realiza relevantes contribuições para o debate crítico feminista atual, dentre os quais estão as relações de gênero, a busca da identidade autêntica, e o papel da narrativa nessas questões. Na leitura do texto, focalizamos os processos de tecnologia de gênero, presentes em Isobel Gunnnuma abordagem que aponta possibilidades de interferência e subversão nas suas relações com a visão tradicional. Nosso embasamento teórico ancora-se nas perspectivas dos estudos femininos da contemporaneidade e nos princípios da hermenêutica moderna.

Data da defesa: 07/out/2004

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