Literatura Sul-Rio-Grandense          

_________________________________________________________________________________________

 

A linha de pesquisa "Literatura Sul-Rio-Grandense" tem por objetivo o estudo do processo literário regional a partir de perspectivas fornecidas pela História da Literatura.

 

Projetos vinculados

_________________________________________________________________________________________

 

LITERATURA E PAISAGEM: A POESIA DA REGIÃO SUL-RIO-GRANDENSE DE COLONIZAÇÃO ITALIANA

Responsável: Prof. Dr. Antônio Carlos Mousquer

O projeto objetiva um estudo teórico acerca da poesia tendo como fundamento principal as ideias desenvolvidas pelo intelectual francês Michel Collot. A partir da compreensão do poema como espaço de abertura e opondo-se às teorias textualistas, Collot busca, na estética da recepção e na fenomenologia de Husserl e de Merleau-Ponty, a noção de horizonte, compreendido como a estrutura que rege a constituição do sujeito, a sua relação com o mundo e a prática da linguagem, vindo daí a ideia de paisagem. A análise da produção poética do Rio Grande do Sul demonstra que, de forma frequente, o tema da paisagem aparece na sua produção poética. Assim, o estudo aqui proposto toma como objeto de análise a poesia concebida, a partir da década de sessenta do século passado, por um grupo de poetas na região sul-rio-grandense de colonização italiana.

 

DICIONÁRIO DE AUTORES DE RIO GRANDE NO SÉCULO XIX

Responsável: Prof. Dr. Artur Emilio Alarcon Vaz

Esta pesquisa é uma ampliação do projeto “Resgate da produção literária do jornal Eco do Sul (Rio Grande)”, que entre 2000 e 2005 resgatou textos literários publicados no jornal “Eco do Sul”. No presente projeto, pretende-se aumentar o corpus de trabalho, reunindo, organizando e divulgando os dados biográficos existentes sobre os autores que ajudaram na formação e consolidação do sistema literário na cidade do Rio Grande ao longo do século XIX, através de pesquisa em fontes primárias (periódicos) e secundárias que tenham estudado a literatura produzida na região Sul do Estado (artigos, relatórios, projetos de pesquisas, dissertações de mestrado e teses de doutorado). Os resultados parciais serão disponibilizados no site www.fontes.furg.br.

 

IMPRENSA LITERÁRIA EM RIO GRANDE: ESPAÇOS PARA A ESCRITA DA HISTÓRIA

Responsável: Prof. Dr. Luiz Henrique Torres

Análise dos escritos históricos publicados na imprensa literária da cidade do Rio Grande/RS.

 

MOYSÉS VELLINHO: HISTORIADOR E CRÍTICO

Responsável: Prof. Dr. Luiz Henrique Torres

O projeto “Moysés Vellinho: historiador e crítico” tem por objetivo o estudo da produção historiográfica de Moysés Vellinho, especialmente daquela que se refere à constituição e gênese de uma identidade regional sulina, em que se afirma uma tese a respeito da formação de raiz essencialmente lusitana do Estado. Por outro lado, promove também o exame de sua produção no campo da crítica literária, quando o ensaísta sul-rio-grandense volta-se para a análise crítica da poesia e da narrativa, de autores nacionais e estrangeiros.

 

CRÍTICA E IMAGINÁRIO NA LITERATURA SUL-RIO-GRANDENSE

Responsável: Profa. Dra. Mairim Linck Piva

O projeto “Crítica e imaginário na literatura sul-rio-grandense” propõe duas linhas de trabalho, quais sejam, o levantamento e a organização da fortuna crítica de alguns autores sul-rio-grandenses contemporâneos, visando compor um banco de dados de crítica literária, e o estudo analítico da prosa ficcional desses determinados autores através da Crítica do Imaginário.

 

PERSPECTIVAS DA LITERATURA SUL-RIO-GRANDENSE CONTEMPORÂNEA: O CONTO

Responsável: Prof. Dr. Mauro Nicola Póvoas

A pesquisa tem por objetivo estudar a literatura contemporânea do Rio Grande do Sul, em especial, num primeiro momento, o conto. Dos contistas selecionados destacam-se, entre outros, Aldyr Garcia Schlee, Arnaldo Campos, Caio Fernando Abreu, Charles Kiefer, Jane Tutikian, Moacyr Scliar e Sergio Faraco, todos já consolidados na historiografia e na crítica sul-rio-grandenses. Por outro lado, autores considerados da nova geração da literatura sulina também compõem o projeto, tais como Amilcar Bettega Barbosa, Altair Martins, Cíntia Moscovich, Daniel Galera, Daniel Pellizzari, Ítalo Ogliari e Monique Revillion. Afora a leitura desses autores, pretende-se revisar a história e a crítica da literatura sul-rio-grandense e proceder ao levantamento de questões acerca da teoria do conto.

 

LITERATURA GAUCHESCA E FOLCLORE: CONSTITUIÇÃO DE UMA MEMÓRIA COLETIVA (MEMÓRIA, CULTURA E TRADIÇÃO NA LITERATURA REGIONALISTA)

Responsável: Profa. Dra. Sylvie Dion

O presente projeto de pesquisa objetiva demonstrar o aporte dos escritores regionalistas à construção de um imaginário coletivo gaúcho e também reconstituir os modelos, as imagens, as percepções e as interrogações culturais geradas pela literatura regionalista, reveladoras de certas práticas idealizadas, que participam da identidade, através da leitura de um corpus representativo de obras pertencentes à literatura gauchesca e da grade das práticas culturais tradicionais de Jean Du Berger. Identificação das práticas culturais tradicionais e das marcas da oralidade, do inventário das práticas culturais tradicionais e das marcas da oralidade, e da reconstrução, a partir desses dados, das diferentes expressões e usos da cultura transmitidos por esses escritores.

 

TRADIÇÃO E IDENTIDADE CULTURAL: A MORTE E OS FANTASMAS NOS LENDÁRIOS DO QUEBEC E DO RIO GRANDE DO SUL

Responsável: Profa. Dra. Sylvie Dion

A literatura oral designa o conjunto de práticas narrativas tradicionais tais como os mitos, as lendas, os contos, as canções e a poesia oral. A lenda urbana ou contemporânea, assim como a lenda tradicional, é uma história oral exemplar. É uma narrativa popular anônima, transmitida principalmente de forma oral e que possui uma mensagem implícita e uma moral escondida com a qual nos aderimos. Baseada na crença, ela tem por objetivo explicar o inexplicável e o incompreensível, dizer o porquê das coisas e dos acontecimentos de acordo com o sistema de valores e a visão do mundo da comunidade. Ela está consequentemente em constante reelaboração, em constante adaptação aos estímulos do meio físico e psíquico dos membros da comunidade. Originários do continente Europeu, contos, canções, lendas tradicionais implantaram-se nas Américas com todas as transformações que uma adaptação a um novo mundo supõe. No Quebec, o folclore da velha França fundiu-se com o folclore ameríndio e céltico para formar o lendário dos franceses da América. No Sul do Brasil, a literatura oral resultou da mistura das tradições originárias do folclore ameríndio, do folclore europeu, principalmente português e do folclore afro-gaúcho, isto é, o folclore dos escravos africanos. Nas nossas primeiras pesquisas sobre o folclore gaúcho, tivemos a ocasião de constatar a existência de vários temas lendários de mesma origem tais como a lenda do Boitatá, gigantesca serpente luminosa parenta próxima dos “feux follets” quebequenses, da mesma forma os tesouros jesuítas lembram os tesouros escondidos dos habitantes da província da Acádia em fuga, quando da grande deportação de 1755 em Nova França. Os relatos do Diabo dançarino, dos lobisomens, das bruxas, dos fantasmas, encontram-se também nas duas tradições. Do lado de personagens fantásticos, os fantasmas ocupam um lugar privilegiado e quase universal. Intimamente ligados à crença religiosa, a tradição oral parece ter guardado uma lembrança vivaz da imagem da morte e das manifestações do além. A pesquisa propõe-se a analisar comparativamente essas duas tradições a fim de descobrir como dentro de seus universos respectivos do Norte ao Sul das Américas estes imigrantes vindos da Europa no mesmo período reelaboraram seu legendário para responder os necessidades desse novo mundo.