Tese - Práticas de oralidade destinadas a brasileiros para o ensino comunicativo de espanhol em plataforma digital

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Autor: Amanda Ribeiro (Currículo Lattes)

Resumo

As políticas relacionadas ao ensino da língua espanhola no Brasil sofreram alterações há alguns anos. Desde a promulgação da Lei nº 13.415 (Brasil, 2017), este componente curricular deixou de ter sua oferta assegurada em território nacional, ao passo que o ensino de inglês tornou-se obrigatório. Ainda assim, o espanhol pode ser ofertado de forma optativa na rede pública; bem como, no Rio Grande do Sul, sua oferta é obrigatória, com matrícula facultativa, desde 2018, momento em que foi aprovada a PEC nº 270. Diante deste cenário, os professores de língua espanhola encontram-se desamparados em relação à distribuição gratuita de livros didáticos, visto que o Programa Nacional do Livro e do Material Didático não avalia manuais desse componente desde 2021. Por isso, nesta tese, que se caracteriza como um estudo qualitativo, de cunho pedagógico, temos como objetivo geral desenvolver materiais didáticos digitais em formato de projetos pedagógicos, constituídos por tarefas comunicativas em espanhol, que, por sua vez, são disponibilizados para os professores na plataforma digital "Español Vivo" (Ribeiro, 2026). Dessa maneira, apoiamo-nos nos seguintes objetivos específicos: (a) definir os temas, os conteúdos e os objetivos comunicativos dos projetos, para cada ano letivo, considerando as habilidades elencadas pelos documentos educacionais; (b) verificar a maneira pela qual as tarefas podem integrar a prática das quatro habilidades comunicativas; (c) elaborar os objetivos comunicativos e as atividades no planejamento das tarefas em conformidade aos projetos; e (d) identificar os meios didáticos em que a pronúncia pode ser abordada em tarefas que envolvam a oralidade, principalmente, tratando das dificuldades apresentadas por estudantes brasileiros. Além do panorama legislativo educacional contemporâneo, nos ancoramos nas orientações contidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2018), já que se trata de um documento normativo sobre a Educação Básica. No Capítulo 2, abordamos extensivamente as habilidades descritas para o ensino da língua inglesa, bem como a revisão dessas habilidades, proposta pelo documento "La nueva BNCC y la enseñanza del español" (Galvão et al., 2021), fazendo as adequações relacionadas às especificidades da língua espanhola. Já no Capítulo 3, discutimos as aproximações entre as práticas digitais de linguagem, previstas pela BNCC, e a utilização de ferramentas digitais (Paiva, 2019; Beviláqua; Costa; Fialho, 2020; Estévez-Rionegro, 2024; Gomes Jr.; Silva, 2016). Da mesma forma, analisamos as potencialidades pedagógicas de diversas plataformas com e sem fins educacionais. Culminando o aparato teórico no Capítulo 4, tratamos do que entendemos por ensino de línguas, a partir da abordagem comunicativa, isto é, da busca pelo desenvolvimento da competência comunicativa dos estudantes. Fazemos uma retomada do histórico deste conceito, uma vez que diferentes autores atualizaram tal concepção ao longo do tempo (Hymes, 1995 [1972]; Canale; Swain, 1980; Canale, 1995 [1983]; Celce-Murcia; Dörnyei; Thurrell, 1995), até a revisão proposta por Celce-Murcia (2007). Essa noção de ensino de línguas ampara a escolha pela Aprendizagem Baseada em Tarefas (Willis, 2012) como arcabouço didático-metodológico considerado para a elaboração de nossos projetos pedagógicos. Isto é, entendemos que as tarefas constituem o meio pelo qual os estudantes podem experienciar a língua estrangeira em sua realidade escolar, organizando tal prática em três etapas: pré-tarefa, ciclo da tarefa e foco na linguagem. No Capítulo 5, relativo à Metodologia, delimitamos que cada projeto contém uma sequência de cinco tarefas, que desenvolvem práticas com as quatro habilidades comunicativas: as duas primeiras tarefas englobam diferentes atividades com textos orais e escritos; a terceira tarefa desenvolve, de forma exclusiva, a oralidade; a quarta tarefa ainda emprega a oralidade, mas também aborda a pronúncia na etapa foco na linguagem; a quinta tarefa retoma todas as habilidades em uma prática integrada que prevê a culminância do projeto através da produção de um resultado final tangível por parte do alunado. No Capítulo 6, discutimos as tarefas de todos os projetos pedagógicos elaborados. No 6º ano, a proposta indica uma apresentação à disciplina de língua espanhola, com os temas "identidade pessoal", "culturas hispânicas" e "amizade e colaboração". No 7º ano, o foco é direcionado para a recepção e produção de narrativas, por isso, as temáticas abordadas são "histórias pessoais", "contos e lendas" e "história e memória local". No 8º ano, as textualidades indicam o trabalho com planos e previsões futuras, por isso, são definidos os temas "responsabilidade digital", "alimentação e saúde" e "ecologia e meio ambiente". Por último, no 9º ano, em que é prevista maior autonomia dos estudantes, os projetos dispõem de práticas mais complexas, como o uso de linguagem persuasiva, através das temáticas "direitos humanos e igualdade social", "identidades e consumo sustentável" e "ciência e Inteligência Artificial". Na Conclusão, pontuamos que todos os objetivos específicos foram alcançados, pois houve a definição dos temas, conteúdos e objetivos comunicativos a partir das habilidades da BNCC; a integração das quatro habilidades comunicativas nas tarefas; o planejamento de objetivos e de atividades em cada uma das tarefas; e a identificação de estratégias para o tratamento da pronúncia em tarefas com foco em oralidade. Dessa forma, esta pesquisa culmina no desenvolvimento dos materiais didáticos de espanhol distribuídos através da plataforma "Español Vivo" (Ribeiro, 2026).

PARTE 1 [p. 1-184]
PARTE 2 [p. 185-276]
PARTE 3
PARTE 4

Palavras-chave: Práticas de oralidadeEnsino comunicativo de espanholAprendizes brasileirosPlataforma digital