Autor: Fagner Gomes do Nascimento (Currículo Lattes)
Resumo
Esta pesquisa vinculada a Linha de Pesquisa Língua(gem), Discurso e Ensino, investiga como a escrita autoficcional pode constituir uma memória em diálogo com os símbolos, rituais e experiências da cultura popular maranhense, especialmente no processo de formação do sujeito/pesquisador. Partindo de uma questão-problema que articula subjetividade, memória e práticas culturais, o estudo compreende que a cultura popular, particularmente a manifestação cultural maranhense atua como um campo privilegiado de produção de sentidos, afetos e identidades. Ao incorporar episódios ficcionais, cenas vividas e memórias, a escrita autoficcional emerge como método capaz de revelar a densidade dialógica dessas experiências, aproximando teoria e vida, corpo e texto, memória individual e memória coletiva. A partir de perspectivas como: Bakhtin (2010), Brait (2013), Faraco (2009) e Doubrovsky (2014), a pesquisa analisa como as vozes da tradição, da família, da religiosidade e das práticas festivas maranhenses atravessam a constituição do eu, configurando um sujeito que se forma na relação entre vivência e elaboração crítica. Logo, adota-se uma abordagem qualitativa, desenvolvida por meio da escrita autoficcional como procedimento analítico e criativo. A pesquisa articula narrativa autoficcional, registros de memória afetiva e reflexões ensaísticas, percorrendo em uma perspectiva dos estudos dialógicos de Bakhtin e o Círculo. Conclui-se que essa escrita produz um espaço híbrido onde subjetividade, território e cultura se encontram, permitindo ao pesquisador compreender-se como parte de uma rede de sentidos que ultrapassa o plano individual. Assim, a tese afirma a escrita de si como prática formativa potente, capaz de reinscrever, pela linguagem, as marcas da cultura popular na constituição do sujeito que pesquisa, narra e se reconhece.