Autor: Joaz Silva de Melo (Currículo Lattes)
Resumo
A relação entre a literatura e o mundo real sempre foi alvo de bastante discussão em todos os meios sociais. A questão sobre a vida imitar a arte ou o inverso sempre permeou esses debates. No entanto, longe de comprovar essa questão, é inegável o fato de que os espectros diegéticos e empíricos se relacionam de alguma maneira. Um dos recursos que auxiliam na percepção dessa relação fica visível quando a literatura permite uma leitura alegórica de seu conteúdo, deixando mais claro para o leitor como e com que finalidade ela atinge o mundo real. Um modo que lança bastante mão dessa medida para criticar ideologicamente a sociedade é a literatura de ficção científica, pois em muitas ocasiões o futuro distópico é retratado para criticar uma tendência do presente. Embora não seja tão reconhecido pelo trabalho nessa área, C. S. Lewis compôs três livros que se encaixam nos moldes da ficção científica, a sua trilogia cósmica. Nessa coleção, o autor narra as aventuras de Ransom através de viagens espaciais para demonstrar como os aspectos sombrios que a natureza humana abarca podem ser mais bem percebidos a partir de uma realidade alternativa. Na presente pesquisa, buscamos analisar como Lewis estabelece uma crítica social através do primeiro volume da trilogia cósmica, Além do planeta silencioso, procurando ressaltar como ele enfatiza aspectos humanos, que, aliados a uma visão holística de seus escritos, podem ser lidos como uma alegoria crítica e apologética. Para esse empreendimento, as principais bases utilizadas foram: Hansen (2016), Benjamin (2016), Suvin (1979), Mendlesohn (2013), Lewis (2018) e McGrath (2013).